De onde vem a força que faz aquilo que não se acredita ser a se mover?
Que sorte a vida se provar, por insistência, valer um tanto mais que os revezes do sofrer!
Se morre sempre pra amanhã renascer.
Se sucumbe ao que agora é certo, duro e líquido para pronto se refazer.
Ou apenas se recebe as doses justas que imunizam o que se propõe permanecer.
E permanece cheia de anticorpos num corpo alerta que luta contra seu próprio ser.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Quebra-moça
A moça que quebrava a cabeça
Tentando juntar seus pedaços pra se fazer inteira
Percebeu que os buracos eram suas partes mais densas pintadas de breu
E assim se fez completa, justa e certeira.
domingo, 29 de setembro de 2019
Convite
A janela acendia pra fora e me fazia sonhar com os calores e vapores todos lá de dentro.
As linhas paradas do vitral de ferro com os contornos dançantes feitos gigantes pela lupa de luz contra o vidro temperado faziam o terceiro ato pra mim.
Ela é cheia de eiras e beiras e marquises. Eu não era convidado, mas me esgueirava na calçada feliz com a temporada, esperando um dia ingressar enfim.
As linhas paradas do vitral de ferro com os contornos dançantes feitos gigantes pela lupa de luz contra o vidro temperado faziam o terceiro ato pra mim.
Ela é cheia de eiras e beiras e marquises. Eu não era convidado, mas me esgueirava na calçada feliz com a temporada, esperando um dia ingressar enfim.
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Orvalho II
No dia em que a pequena rosa vermelha conversou com a gota de orvalho,
Naquele jardim de cores e odores que se desmancham na terra molhada,
As duas chegaram a um breve entendimento,
Sobre como derreter delicadamente ao amanhecer.
Naquele jardim de cores e odores que se desmancham na terra molhada,
As duas chegaram a um breve entendimento,
Sobre como derreter delicadamente ao amanhecer.
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Mato
Oh, natureza arteira, tentando ensinar ao homem a forma certa de amar.
Ah, mato irônico, se fazendo icônico, dando a outra face sem conseguir nos desarmar.
Quem dera o coração do homem bombeasse uma outra seiva e alimentasse um outro fogo, fazendo todo o sangue estancar.
Aprendesse a se desmanchar pra renascer,
a arte de brotar do que parece podre,
ao invés de apodrecer tudo que esplende a essência de viver.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Corpo
Mas que cruel ironia perceber que quando se tem a alma a tremer se corporifica a pele, os músculos, os órgãos e o sangue, fazendo tudo doer.
Queria um corpo desconectado das agonias dos sentires do espírito, livre de paralisias, ondas de gelo e falta de ares, um corpo somente.
Queria os olhos independentes da alma, cartesianos, seletivos, com lentes protetoras dos raios todos da vida. Olhos que decodificam as massas e suas cores, apenas. Olhos que não enxergassem o que minha alma insiste em absorver.
Queria um corpo desconectado das agonias dos sentires do espírito, livre de paralisias, ondas de gelo e falta de ares, um corpo somente.
Queria os olhos independentes da alma, cartesianos, seletivos, com lentes protetoras dos raios todos da vida. Olhos que decodificam as massas e suas cores, apenas. Olhos que não enxergassem o que minha alma insiste em absorver.
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Beija-flor
Como faz pra bater as asas sem querer sair do lugar?
Voar parado que é pra dar o tempo do beijo sem pouso, suspenso no ar.
Da liberdade namoradeira, parar pro cortejo que faz a flor levitar.
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