domingo, 10 de setembro de 2017

ferrolho

A gente era pobre, mas nem passava pela cabeça.
Aquela janela, ah que incrível janela!
Eu passava horas fingindo que eu me mostrava pro mundo.
Ou que o mundo se mostrava por ela.

Que bonita era aquela janela!
Hoje lembrando dela, pensando bem, era bem pobrezinha a janela.
Não tinha nem moldura, nem vidrinho, nem nada.
Mas era bonita a danada da janela.

Quando à noite se fechava eu pensava...
se ela me guardava dos perigos lá de fora,
se ela separava a noite imaginada daqui de dentro,
se ela logo revelava o dia de amanhã.

Hoje pensando bem, como era rica aquela janela!
A gente era rico, mas nem passava pela cabeça.
E era pela fresta daquela janela que eu tudo podia,
para dentro e para fora, todo medo e todo amor.

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