No dia em que a pequena rosa vermelha conversou com a gota de orvalho,
Naquele jardim de cores e odores que se desmancham na terra molhada,
As duas chegaram a um breve entendimento,
Sobre como derreter delicadamente ao amanhecer.
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Mato
Oh, natureza arteira, tentando ensinar ao homem a forma certa de amar.
Ah, mato irônico, se fazendo icônico, dando a outra face sem conseguir nos desarmar.
Quem dera o coração do homem bombeasse uma outra seiva e alimentasse um outro fogo, fazendo todo o sangue estancar.
Aprendesse a se desmanchar pra renascer,
a arte de brotar do que parece podre,
ao invés de apodrecer tudo que esplende a essência de viver.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Corpo
Mas que cruel ironia perceber que quando se tem a alma a tremer se corporifica a pele, os músculos, os órgãos e o sangue, fazendo tudo doer.
Queria um corpo desconectado das agonias dos sentires do espírito, livre de paralisias, ondas de gelo e falta de ares, um corpo somente.
Queria os olhos independentes da alma, cartesianos, seletivos, com lentes protetoras dos raios todos da vida. Olhos que decodificam as massas e suas cores, apenas. Olhos que não enxergassem o que minha alma insiste em absorver.
Queria um corpo desconectado das agonias dos sentires do espírito, livre de paralisias, ondas de gelo e falta de ares, um corpo somente.
Queria os olhos independentes da alma, cartesianos, seletivos, com lentes protetoras dos raios todos da vida. Olhos que decodificam as massas e suas cores, apenas. Olhos que não enxergassem o que minha alma insiste em absorver.
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Beija-flor
Como faz pra bater as asas sem querer sair do lugar?
Voar parado que é pra dar o tempo do beijo sem pouso, suspenso no ar.
Da liberdade namoradeira, parar pro cortejo que faz a flor levitar.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Dobro não
Dobrou a esquina, percebeu a rua mal assombrada, a frouxidão nas pernas, sentiu o peito gelar.
- Será que dá pra voltar?
A ré sempre dá mais trabalho, além da manobra, exige o esforço de abstração do que não se fez.
- Melhor seguir de vez.
Bem certo de dar tudo errado, o ar tá pesado demais, anyway.
- Fazer o quê?
Essas vias que anunciam a armadilha que se sente por telepatia sem se saber por quê.
- Déja vu, pode crer.
Talvez. Mas sabia que haveria de ter entre tantas idas e vindas com o desprazer. Ou qual seria o propósito de sair do lugar?
- Melhor capturar as cores dos revezes e fazer tudo que é oposto brilhar.
- Será que dá pra voltar?
A ré sempre dá mais trabalho, além da manobra, exige o esforço de abstração do que não se fez.
- Melhor seguir de vez.
Bem certo de dar tudo errado, o ar tá pesado demais, anyway.
- Fazer o quê?
Essas vias que anunciam a armadilha que se sente por telepatia sem se saber por quê.
- Déja vu, pode crer.
Talvez. Mas sabia que haveria de ter entre tantas idas e vindas com o desprazer. Ou qual seria o propósito de sair do lugar?
- Melhor capturar as cores dos revezes e fazer tudo que é oposto brilhar.
quinta-feira, 25 de julho de 2019
batente
O portão daquela casa que não é minha nem dela, mas se fosse, quem dera, talvez em uma outra era, sentiria um passante, que jamais seria eu ou ela, o calor que escapa daquela janela.
Mas se por acaso fôssemos nós por ali passando, saberíamos que naquele batente se daria o paradoxo dos amantes estradeiros que sonham em se ver de dentro e de fora de seus aposentos.
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Contos de desamor
Não confunda minha liberdade com sua estupidez.
O que sou eu e o que voce não deveria ser.
Não confunda, meu bem.
Estamos cansados de falar sobre você.
Tenho retratos de uma estrada inteira de amor, mas perdi os seus.
Não faça o tipo encenado meio amante meu,
Enquanto vela seus desejos, descubro os meus.
Ai, ai que você nem percebeu.
Na sua casa espelhada, de portas aparentemente escancaradas, só cabe você.
Não confunda meu humor com sua falta de sensatez.
O que sou eu e o que voce não deveria ser.
Não confunda, meu bem.
Estamos cansados de falar sobre você.
Tenho retratos de uma estrada inteira de amor, mas perdi os seus.
Não faça o tipo encenado meio amante meu,
Enquanto vela seus desejos, descubro os meus.
Ai, ai que você nem percebeu.
Na sua casa espelhada, de portas aparentemente escancaradas, só cabe você.
Não confunda meu humor com sua falta de sensatez.
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